Oie! Bem-vindo ao Vida Freelance!

Chegou na hora, porque já vou começar com o pé direito. O primeiro post é sobre o meu primeríssimo job. O primeiro é sempre o mais especial por que é com ele que a gente abre a vida de freelas, né?

Mas o primeiro também é sempre o que dá mais dor de cabeça.

A coisa cai de paraquedas na nossa vida e nós ainda muito inocentes, não sabemos nem por onde começar. Primeira impressão é a que fica, e esse cliente número um pode se tornar um cliente fiel ou até mesmo falar bem de você pra quem precisa de um designer. E aí bate aquele medo de queimar o filme logo de cara. Bom, nessa PARTE 1, vamos conversar sobre o “pré-job“, entender o que pode/deve ser feito antes de encontrarmos o cliente cara a cara até o fechamento do orçamento, ok?

Frio na barriga, nervoso, é normal, é aceitável. Mas não vá fazer tudo afobado, agora é hora de parar e pensar. Vamos por partes:

1.Como o cliente te encontrou? Foi por algum amigo, familiar ou conhecido que passou seu contato? Foi pelo Face? Pelo Behance? Seja qual for o caso, o primeiro passo é dar sinal de vida. Se apresente (se ele não iniciou o contato, você só sabe que ele quer uma reunião com você, capricha no oi), escreva um e-mail, pergunte sobe o trabalho e marque uma reunião, troque telefones para emergências.

2.Pesquise sobre o cliente. O seu cliente é uma empresa? É uma pessoa só? Hora de ir no google e achar o básico de informações. Saber sobre o seu cliente na hora da reunião vai mostrar que você veio preparado e que leva seus jobs muito a sério.

3.Aprenda a calcular o valor da sua hora de trabalho. Tá, isso aqui é mais complicado. Pode acontecer de o cliente te pedir uma previsão de quanto ficaria o serviço. Imagine se você, sem noção nenhuma, chuta um valor lá no alto, ou pior, lá em baixo? No último estágio supervisionado que fiz, saí perguntando o pessoal “Gente quanto eu devo cobrar por esse freela?”. Por ser estudante de design, eu já sabia que tinha por aí uma tabela da ADG, que mudava pra cada estado e que servia de base e não sei mais o quê. Mas não tinha ideia de como funcionava. Foi aí que me explicaram.

Pra saber o valor da sua hora, primeiro: quantas horas por mês você vai reservar só pra freela? Anota aí. Quais são os gastos que você tem por mês? Água, luz, aluguel, carro, ônibus, alimentação, supermercado, lazer, médico, cursos, vai trocar de computador etc. Procure listar todos os seus gastos. E por fim, quanto você quer que sobre no final do mês, depois de pagar suas contas? Some tudo, divida pelas horas e voila, certo? Não é bem assim.

Bom, eu tenho o cálculo da minha hora base, desconto e tudo mais. Mas mesmo assim, eu considero esse valor relativo a quem é meu cliente. Se é uma empresa grande, seu trabalho vai ser visto por mais gente, o risco de qualquer pepino é muito maior. Então a gente cobra mais. Agora quando é uma pessoa só, um pequeno empreendedor, assim como nós, nem ele vai ter toda essa grana sobrando e nem você vai ter todo esse trabalho, não é? Então convém baixar um pouco a bola. Esse link aqui, do site medium.com contém uma tabela do excel pra calcular quanto vale a sua hora. É super prática e fácil de usar, dá até pra baixar e ter no PC pra sempre! Confere lá (:

4.Se programe. No dia da reunião, pelo amor de deus, não se atrase. Saia de casa duas horas antes se for preciso. Se seu único meio de transporte é ônibus, não brinque em serviço. Cheque o endereço, pergunte pra quem sabe chegar, veja as linhas de ônibus, os horários, seja precavido. Murphy acontece, vai por mim.

Ah, e olha a roupa hein? Eu vivo de short, camiseta e tênis e tá que na nossa profissão a gente tem muito mais liberdade pro nosso visual. Mas é como diz a Lígia Fascioni em seu livro Atitude Profissional: não custa nada você se adaptar ao seus arredores né? Isso mostra que você, além de versátil, é compreensivo e sabe que não é sua cara que reflete o trabalho que você faz. Mas como nós somos a cara do nosso próprio negócio, não custa nada (e vale muito!) passar uma boa primeira impressão. Lembra daquela preocupação de queimar o filme? Pois é, ela só passa depois que a gente manda o pdf fechado pro cliente. Se você for neurótica que nem eu, nem assim.

5.Mostre uma boa postura. Não adianta chegar na hora, bem vestido e bonitinho se a gente se comporta como gato de rua né? Aprume a postura, fale um pouco mais alto – pra gente que nem eu, que mal escuta a própria voz, essa é uma boa oportunidade pra treinar – preste atenção ao que o cliente fala, olhe nos olhos dele. Ele vai te dar toda a atenção dele em retorno e vai te responder tudo o que você perguntar.

Leve um caderno ou bloquinho para anotar o que ele quer, como quer, as especificações, as exigências, tudo. Não confie na memória jamais. Ah, tem um cartãozinho, com seu nome ou sua marca? Essa é a hora de entregar! Ainda me sinto super mal por não ter isso na época, mas isso me deixou esperta pra não deixar acontecer na próxima. Se você não tiver também, nada de pânico. Criar a própria marca é um dos trabalhos mais difíceis para um designer. Tão difícil, que isso fica pra um próximo post, ok?

6.Agora é só fechar, certo? Tudo correu bem, favorável, suave. Vocês apertam as mãos e você diz que até amanhã envia o orçamento pro cliente. Ele diz ok. Então ok. Mal sabe ele que, por dentro, estamos tendo um mini aneurisma, por que, agora que paramos pra pensar, o que é que se coloca num orçamento? Eu lembro que assim que cheguei em casa, estava no Google antes de entrar pela porta, procurando modelos e mais modelos de orçamento e de como fazer. São detalhes, mas um orçamento tem, no mínimo, os seguintes itens:

.Seu nome/Nome da sua empresa

.Seu contato (telefone, email, whatsapp)

.O nome do seu cliente/empresa (coloque também o endereço)

.O número do orçamento e a validade do mesmo. Vai que daqui a um tempo o valor da sua hora sobe (uhu!), você não vai cobrar o mesmo, não é? E outra: se você não fechar com o cliente agora e ele voltar a te contatar, ele vai ficar ciente de por quanto tempo aquele serviço será feito por esse preço.

.O escopo do trabalho, ou seja, o que será produzido, a descrição. Ex.: 2 folders com duas dobras, YxZcm, faca especial, tratamento de fotos e lalala.

.O prazo: quantos dias você terá para terminar tudo?

.O preço, obviamente. Se possível, detalhe a soma como uma nota fiscal, para que o cliente veja quanto ele está pagando pelo quê.

.As formas de pagamento. Se for por depósito bancário, coloque já o número da conta e agência.

.Observações/Condições. Aqui, você vai descrever qualquer exigência que você tenha quanto ao comportamento e colaboração do cliente. Isso deixa os termos muito claros e impede que ele alegue desconhecimento de algo, caso surjam problemas durante a execução do job. Eu pessoalmente peço o envio de um valor de entrada (20% do valor total) e o comprovante do depósito antes de começar o trabalho. Você também pode pedir pelo envio de TODOS os arquivos necessários para o trabalho e deixar claro que o prazo só começa a partir do recebimento destes. Isso pode evitar dor de cabeça se o cliente sumir no meio do trabalho e te deixar esperando pelos arquivos. Determine também as condições de entrega. Você vai entregar tudo em pdf, Adobe Illustrator, Corel?

Terminou? Agora pode mandar. Deixe claro no e-mail que você aguarda retorno, e vale até ligar pra deixar o cliente sabendo que o orçamento foi enviado. Tudo aprovado e negociado? Segura aí que vem a PARTE 2: a batalha contra o prazo, a desorganização e meu computador deu pau. O “pós-orçamento“.

 

Te vejo lá? ((:

 

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