Você é daquelas pessoas que não consegue viver sem saber o que vai fazer amanhã? Ou que simplesmente não entende como alguém consegue agir na vida sem ter tudo previamente organizado? Que jamais entenderá uma pessoa que resolve assim, do nada, sair hoje, agora pra algum lugar e “vamos?” Se você é como eu, esse post definitivamente é pra você.

Minha mãe esquece o próprio uniforme em casa várias vezes por semana, o celular, às vezes a própria bolsa, mesmo saindo para trabalhar todos os dias. Não que eu a ache problemática, mas nunca conseguirei entender seu estilo de vida. A observo correr à procura de seja o que for todos os dias e permaneço segura dentro do meu quarto, onde nada existe sem lugar e sem meu conhecimento.

E, mesmo assim, ela é uma pessoa que cumpre suas metas, faz as coisas acontecerem. Faz, simplesmente, e obtém sucesso. E isso me intriga. Conheço várias pessoas assim e muitas me consideram chata, por vezes neurótica.

E eu admito: planejar tudo até o último detalhe vai travar sua vida. A pessoal, profissional. Passei por isso por anos. Estou em processo de desintoxicação, mas os efeitos e as experiências tem sido provas concretas de que eu estava muito perto de enlouquecer por não querer viver na loucura.

É claro que sou a favor da organização. Saber onde está cada coisa, ter conhecimento de que projetos estão em andamento, de quais posts de blog estou trabalhando e quais precisam de pesquisa, saber quais são as minhas próximas ideias e planos esperando na fila me traz segurança e paz.

Mas, quando devo colocar tudo em prática? Quanto tempo devo dedicar a cada coisa? Como posso articular tudo da forma perfeita? Aí é que está, não podemos. Um simples imprevisto e nossa semana inteira vai pro buraco, tudo o que planejamos se atropela e, em nosso desespero para remontar o planejamento, não nos tocamos de que tudo que era preciso era sentar e fazer, ao invés de lamentar e planejar.

Por isso meu mote atual tem sido esse. Só faça. Apenas faça. Agora. E se agora não for possível, anote, rabisque, esquematize. Mas não se deixe esquecer, pare de planejar quando vai poder se sentar para planejar. Deixe que a genialidade do espontâneo flua livremente.

Foi o que fiz quando pensei nesse post. Sentei e comecei a escrevê-lo. Por que sei que lá fora existe muita gente na mesma situação que eu.

Então pare agora de escrever no seu calendário, de fazer esquemas e horários.

Faça metas. Se dê prazos. Documente seu processo e compreenda seu próprio ritmo. Não é por que você se programou para fazer tal coisa em tal horário por tantas horas que vai realmente conseguir, que vai ter vontade. Principalmente se for algo que você goste, que você sempre se empolgue e passe muito além do tempo planejado.

Então sejamos neuróticos flexíveis:

  1. O que quero alcançar até o fim do mês? E em seis meses? Em um ano, em que pé quero estar?
  2. O que preciso fazer para alcançar tudo isso?
  3. Transforme seus dias em pequenas pílulas de progresso e perceba o poder da diligência.
  4. Não sofra com imprevistos, use sua neura para contorná-los e usar o tempo a seu favor. Tenho certeza de que, assim como eu, você está habituado a ser o santo das situações de emergência.
  5.  Pensou, faça. Pare de ensaiar a situação ideal em sua cabeça, pare de planejar o planejamento. Você nunca mais vai perder o sono pensando em tudo que pode dar errado no seu dia perfeitamente esquematizado.

Utilize sua ansiedade para terminar o que começou antes da deadline e entenda que viver o presente não é esquecer do futuro: é cuidar para que nossos projetos não se tornem meras planilhas de horários.

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